Quando um projeto de 2 anos se transforma numa carreira de 18 anos, sabe que encontrou o seu lar corporativo longe de casa. Tina Atkinson passou quase 20 anos na Cathay Pacific Airways a trabalhar a partir da sua sede em Hong Kong. Depois de sair, juntou a sua experiência em marketing de marcas e produtos com os seus interesses em saúde mental para gerir os seus próprios retiros nas suas villas na Tailândia. Agora, um ano depois do início da pandemia da COVID-19, o impacto na sua empresa trouxe novos desafios e lições importantes para aqueles que procuram tomar os seus primeiros passos na indústria do turismo.


1. A Tina começou a sua carreira na Cathay Pacific Airways e passou quase 20 anos lá. Como foi essa experiência e o que a levou a dar o salto para outro negócio?

Fui contratada para um projeto de 2 anos e acabei por ficar 18 anos – isso diz tudo. Adorava aquela empresa. A única marca verdadeiramente global “gerida” a partir de uma sede em Hong Kong; foi um privilégio trabalhar lá.

Foi-me oferecido um pacote de rescisão voluntária como parte de um processo de restruturação que geri. Apesar de me terem oferecido outra oportunidade para liderar outra restruturação, legalmente tinham de me oferecer a rescisão e eu acabei por aceitar senão nunca mais teria saído de lá. O meu filho, que tinha 10 anos, ia começar o colégio interno no Reino Unido nesse ano e achei que era uma boa altura para me focar nos meus filhos. Achei que as suas necessidades aumentaram à medida que foram crescendo e era menos expectável que a nossa empregada interna conseguisse dar resposta a tudo.


2. Atualmente gere a sua própria propriedade de villas na Tailândia, já fez consultoria de investimento imobiliário, trabalhou em organizações sem fins lucrativos também… Conte-nos um pouco mais sobre o seu percurso e como acabou por combinar todos os seus interesses na sua vida profissional.

Quando saí da CX tive algum receio e rapidamente procurei uma forma de me validar. Estava nervosa que me vissem como dona de casa e queria manter-me relevante no mercado de trabalho. Um antigo CEO da CX uma vez disse-me “a memória corporativa é muito curta”. Por isso, decidi começar a gerir os meus ativos, assumi o marketing de villas (minhas e de outros proprietários), criei uma nova marca de villas, introduzi retiros corporativos e eventualmente de saúde e bem-estar. Isto tudo com a minha experiência em marketing de marca e produto.

Tripliquei as receitas e depois foquei-me em desenvolver a marca de retiros porque era interessante – uma paixão antiga, digamos. Geri os retiros Chaitalay durante 10 anos sem fins lucrativos (com todos os custos pagos) e ao longo dos anos passámos de fitness a bem-estar, com um grande foco na saúde mental. Eu estava focada num percurso que fosse ao encontro do meu propósito, mas utilizando os meus ativos, alinhando o lucro e o propósito.

O interesse na saúde mental veio da minha própria experiência com membros da minha família. Investi bastante na minha formação e tornei-me uma especialista mesmo antes de se ter tornado tão normal falar de saúde mental.

Lancei o Shared Value Project Hong Kong em 2018. O CEO era um amigo e conhecia o meu percurso. Fui contratada para gerir parcerias e programas. Estava responsável por 8 multinacionais e começámos uma iniciativa de saúde mental em Hong Kong.


3. Ao longo de todos os seus projetos profissionais, continuou a viver em Hong Kong. O que a atraiu a esta cidade inicialmente?

Sim, estava a trabalhar em Banguecoque entre 1989 e 1993 com a Saatchi. A British Airways era um cliente. Eu sempre quis trabalhar numa companhia aérea, mas não queria fazer o programa de graduação. Geri os programas de fidelidade da BA na Ásia. Fui contratada pela CX para lançar o seu primeiro programa de milhagem em 1993 e depois mudei-me para Hong Kong.


4. Qual é a melhor parte de viver no Hong Kong e do que sente mais falta da sua casa no Reino Unido?

O meu Hong Kong é andar de barco, oceanos, montanhas, paisagens lindas, vida ao ar livre… muitas pessoas não se apercebem disso. 80% de Hong Kong não tem construção (aquilo que as pessoas mais veem é apenas uma fração de Hong Kong).

Sobre o Reino Unido, receio que não consigo pensar em nada.


5. A pandemia tem tido um impacto enorme no mundo inteiro. Como é que o seu negócio foi impactado e o que tem feito para enfrentar este novo desafio?

O meu negócio fechou. A Tailândia fechou tudo em março do ano passado por isso as minhas villas estão fechadas, não há subsídios para o meu staff e não há regimes de licenças de Primeiro Mundo. Centenas de hotéis em falência, milhares de pessoas despedidas sem indemnização. Não temos um cliente desde março do ano passado e provavelmente não teremos nenhum até ao último trimestre do ano. Tem sido terrível e eu não posso desenvolver este negócio online.

Tenho tentado gerir custos, gerir os meus próprios gastos, desenvolver as minhas competências e tenho me focado nos meus hobbies. Em termos profissionais, não tenho feito nada. Sempre tive em mente ter custos variados e eliminei-os todos agora. Estou a conseguir aguentar-me com ativos/poupanças. Encontrei um hóspede de longo prazo de Banguecoque que quis escapar-se à COVID-19 na cidade e ele ajuda-me a cobrir alguns custos, mas não todos.


6. Por fim, tendo em conta a sua experiência no setor do turismo, que conselhos tem para outros empreendedores no setor atualmente?

Não fiquem excessivamente dependentes de um único setor.

Não fiquem excessivamente dependentes dos rendimentos de um único setor.

Separem o vosso negócio dos vossos bens e ativos pessoais.

Não se endividem.

Tenham 18 meses de fluxo de caixa para se conseguirem sustentar e ao vosso negócio ou encarem a possibilidade de o perderem.

Independentemente do que diz o contrato, vocês têm de se comportar como o prestador de serviços e o cliente tem mais direitos do que vocês, mesmo que não os tenha.


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— Entrevista por Inês Pinto